Paidéia

Keywords: Paidéia, Grécia, Werner Jaeger

Paidéia, segundo Werner Jaeger, era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia antiga.

O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paidéia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paidéia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.

Um pedagogo - um escravo, na época - conduzia o jovem, com sua lanterna ilumina(dor)a, até aos centros ou assembléias, onde ocorriam as discussões que envolviam pensamentos críticos, criativos, resgates de cultura, valorização da experiência dos anciãos etc.

Supõe-se que, no proecesso sócio-histórico, esse mesmo pedagogo libertou-se, talvez de tanto dialogar nos acompanhamentos do jovem até as assembleias, tornando-se um persobagem da paidéia, e seu consuma(dor).

Mortimer Adler - um filósofo norte-americano - tenta, com sua produção científica, resgatar a paideia hoje, na nossa contemporaneidade. Ele destaca a importância de ler, estudar e apreender as idéias dos grandes pensadores, e a vida toda, lutou por isso.

Hiran Pinel (2005), psicopedagogo e cientista capixaba , descreveu, em um artigo científico, acerca dessa paidéia. O evento "inter(in)ventivo psicopedagógico" - (apresentado na Anpedinha/ Belo Horizonte MG/ 2005) - foi desenvolvido junto a um jovem adolescente soropositivo ao HIV, no ano de 1985. O autor recuperou o Diário de Campo da época e, junto com seus alunos e alunas de mestrado e doutorado, fizeram um esforço fenomenológico existencial de recuperar a idéia/ clima de paideia, recuperando "memórias sentidas".

Essa paideia - mais um clima de provoc(ação) e resgate dos "modos ser sendo si mesmo no cotidiano do mundo" (Pinel, 2003; Colodete, 2004) - ao contrário das assembléias (grupos), foi - e é - marcada pelo encontro individual (inicialmente assemelha-se a um aconselhamento psicológico e orientação psico-educacional), procurando, através de um educa(dor) que escuta empáticamente, produzir um diálogo instiga(dor)e fundamentado em idéias de grandes pensa(dores), especialmente os que se preocupam com a existencia cotidianamente humana. Nesse "significado sentido" acabou-se resgatando temas como o "sentido da vida" (Viktor FRANKL), a prostituição masculina como profissão (ele se denominava "michê"). Discutiu-se também como uma sociedade e sua história pode bem caracterizar, impondo aos oprimidos e marginalizados, um dos "modos de não ser sendo cidadão", visto que um adolescente deveria estar frequentando instituições sócio-historicamente úteis para eles (escola; clubes de esportes etc.)e não sendo explorados sexualmente, já que se dizia estar nas "vitrines das ruas", entretanto, sem o seu desejo.

Outro aspecto dessa "paideia contemporânea", continua Pinel (2005), é o valor que se fornece ao outro não escolarizado, fazendo circular - nas escutas e diálogos provoca(dores) - autores e/ ou terminologias que possivelmente estariam distantes do sujeito. Esse distanciamento é prenhe de preconceitos, pois o relato do autor aponta que aquele que supõe não-saber ou "carente do saber intelectual", está disposto a envolver-se, pergunta os nomes que não conhece, e com informações provocar-se a mudanças. O sujeito do "suposto não são saber" dialoga - até com intuitiva retidão - com pensa(dores), especialmente os psicólogos, que escreveram - e escrevem -livros sobre vida afetiva - sentimentos, emoções, desejos etc., sobre temas que tocam na sua existência tão efêmera, finita, incompleta etc.


Categoria:Educação Categoria:Grécia

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