Contracepção oral

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A pílula contraceptiva contém uma pequena quantidade de duas hormonas parecidas com as que são produzidas pelo ovário: um estrogénio e um progestagénio.

Conteúdo

Uso clínico

Mecanismo de acção

A maturação dos foliculos necessita de hormonas da hipofise (glândula endócrina junto ao cérebro), a FSH (Folicle stimulating hormone ou hormona estimuladora do foliculo) e também s LH. Normalmente surgem vários foliculos ováricos (cada um com 1 óvulo) em crescimento que ao aumentarem de tamanho excretam estrogénios em cada vez maior quantidade que actuam por feedback negativo na hipofise, havendo redução progressiva da libertação de LH e FSH. Os vários foliculos então competem por essas escassas hormonas, sendo que o maior foliculo (que tem maior superficie e portanto mais receptores para elas) é activado suficientemente e os menores degeneram. Esse foliculo maior então produz cada vez mais estrogénio, até que em altas concentrações ocorre conversão do feedback negativo em feedback positivo (mecanismo complexo) que leva à excreção em massa de LH e FSH que estimulam o rompimento do foliculo e a ovulação.

A administração de doses baixas, mas constantes de estrogénio e progesterona inibem a produção de FSH e LH na hipófise, por feedback negativo enquanto todos os foliculos são ainda pequenos. A diminuição das concentrações de FSH e LH leva ao não desenvolvimento dos foliculos que surgem, já que nenhum deles é suficientemente grande para ter receptores de FSH suficientes para não degenerar.

Ou seja há como que uma simulação da produção de estrogénio por um foliculo grande apesar de nenhum existir (porque o estrogénio vem do medicamento), e portanto todos os foliculos degeneram de acordo com o mecanismo normal de "selecção natural" de apenas um deles, o maior, para ovular. Devido à pilúla ele não existe, portanto não há ovulação de nenhum.

Eficácia

A pílula é actualmente o método contraceptivo mais seguro, com uma eficácia que ronda os 99% (se não houver qualquer esquecimento de a tomar). Certos medicamentos podem diminuir a eficácia da pílula, sendo por isso importante lembrar o seu médico de que a esta a tomar, bem como evitar tomar medicamentos sem consultar o médico.

Fármacos usados

Há vários tipos de pílula, cada um com análogos dos estrogénios ou progesteronas em cocktails diferentes. Derivados estrogénicos comuns:

Derivados da progesterona:

Administração

Podem ter um estrogénio e uma progesterona, ou mais recentemente só progesterona (também inibe sozinha a libertação hipofisária de FSH).

Há embalagens monofásicas (sempre mesmas doses e fármacos), e bifásicas ou trifásicas (três fases cada uma com doses e/ou fármacos diferentes).

Há actualmente além das embalagens com pílulas orais (com ou sem paragem de alguns dias) também preparações para implantação subcutânea com libertação automática.

A pílula é grátis nos centros de planeamento familiar em Portugal.

Efeitos contraceptivos

Efeitos adversos

Raramente:

Vantagens

  • Diminui o risco de cancêr ou cancro do ovário;
  • Diminui o risco de câncer ou cancro do endométrio;
  • Reduz o risco de aparecimento de quistos (cistos) no ovário;
  • Reduz o risco de aparecimento de dor menstrual;
  • Reduz a anemia por carência de ferro.
  • Reduz acne, hirsutismo

Contra-indicações

  • Diabetes;
  • Hipertensão Arterial;
  • Valores elevados de gordura no sangue;
  • Antecedentes familiares de trombose venosa profunda aguda (TVPA) ou tromboembolismo venoso

Aplicação

Deve ser tomada todos os dias durante 21 dias seguidos, sempre à mesma hora (para a maioria das pílulas o atraso é de 12 horas).

  • Embalagens de 21 comprimidos
Toma-se todos os dias sem parar, interrompe-se 7 dias, inicia-se nova embalagem no 8º dia.
  • Embalagens de 28 comprimidos
Tomar sem parar.

Em que dia se deve começar a tomar a pílula?

Se: Quando?
Nunca tomou 1º dia da hemorragia
Está a tomar a embalagem de 21 comprimidos Interrompe-se 7 dias e começa-se nova emb.
Esta a tomar a embalagem de 28 comprimidos Começa-se após o 28º dia da pílula.

Nota: Todas as pílulas trazem folhetos explicativos de como se deve tomar, pode também falar com o enfermeiro do Centro de Saúde. Não esqueça que a pílula não protege contra doenças sexualmente transmissíveis, pelo que o preservativo deve sempre ser usado para prevenção de doenças.

Quando deve consultar um médico

Deve fazer uma primeira consulta, depois um controlo ao fim de 3 meses e, por fim, visitas regulares de 6 em 6 meses. No entanto, se enquanto tiver a tomar a pílula ocorrer as seguintes opções, deve consultar um médico:

  • Dores de cabeça fortes e fora do comum;
  • Dores na barriga da perna ou no tórax;
  • Vómitos ou diarreia persistente
  • Corrimento mamário;
  • Hemorragias vaginais abundantes;
  • Qualquer sintoma que não tenha tido antes da toma.

Pílula do dia seguinte

Também conhecida como a "pílula abortiva" apesar de não ser propriamente abortiva, mas sim inibidora da implantação da mórula. A gravidez só começa com a implantação, e a maioria das mórulas, por acidente, não se implanta não ocorrendo gravidez. A pilula do dia seguinte só torna esse evento fisiológico muito mais provável.

Não é propriamente um método contraceptivo, mas sim um recurso disponível se existir alguma falha na utilização de um método contraceptivo e verificar-se a possibilidade de gravidez.

Se for utilizada de forma correcta e apenas pontualmente, em situações especiais, não traz riscos para a sua saúde e pode prevenir, com muita eficácia, a implantação. A contracepção de emergência é utilizada há cerca de 20 anos em muitos países do mundo e foi considerada segura para a saúde da mulher pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por muitas outras Agências Mundiais de saúde.

A contracepção de emergência pode ser usada depois de se ter relações sexuais desprotegidas ou quando, por exemplo, o preservativo se rompe, quando houve esquecimento da pílula, ou depois de uma situação complicada como é uma violação ou uma relação sexual não desejada, por forma a evitar uma gravidez. Deve-se tomar o mais cedo possível, dentro de 72 horas após a relação sexual. A segunda toma deve ser efectuada 12 horas depois da primeira. A contracepção de emergência está disponível em Portugal, sem receita médica. Se precisar de a utilizar, recorre a um Centro de Atendimento para Jovens, a um Centro de Saúde ou a um Gabinete de Apoio à Sexualidade Juvenil do Instituto Português da Juventude.

Ver também

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