Pré-socráticos

Keywords: Pré-socráticos, Anaximandro de Mileto, Aquiles, Arché, Aristóteles, Célula, Erosão, Filosofia, Heráclito

Os filósofos pré-socráticos são, como sugere o nome, os filósofos anteriores a Sócrates.

Essa divisão acontece devido ao objeto da filosofia destes filósofos e da novidade introduzida por Sócrates. Temporalmente, os Sofistas são anteriores a Sócrates, pois já havia sofistas antes de Sócrates, contemporâneos a ele e posteriores. Mas o pensamento deles situa-se em uma categoria própria em certas vezes, e relacionados a Sócrates noutras vezes. Isso porque o pensamento de ambos (sofistas e Sócrates) chega a tocar-se muitas vezes; suas diferenças consistem em questões de conduta (os sofistas cobravam por seu ensinamento, por exemplo) e algumas posições (os sofistas eram, no mais das vezes, relativistas, por exemplo). Mas ambos representam uma certa ruptura com os pré-socráticos, que são também chamados de filósofos da physis.

Tais filósofos, considerados pioneiros da filosofia ocidental, buscavam um princípio, a arché, que deveria ser um princípio presente em todos os momentos da existência de tudo. Essa arché deveria estar no início, no desenvolvimento e no fim de tudo.

São chamados "da physis" porque suas investigações giravam sempre em torno do mundo material, físico; embora não poucas vezes o arché fosse algo não-físico, como os números, para os pitagóricos, ou o a-peiron (uma "coisa" incriada e sem um começo), para Anaximandro.

Parmênides e Heráclito

Foi neste grupo de filósofos que iniciou um dos maiores debates da filosofia ocidental (e essa discussão prossegue ainda em aberto, ainda que não nos mesmos termos e à luz de todo o pensamento ocidental desde aquela época até hoje), entre Parmênides de Eléia e Heráclito de Éfeso.

Resumidamente: para Parmênides e seus seguidores (escola eleática, o movimento não existe. Sua afirmação "o que é, é, e não pode não ser, e o que não é, não é, e não pode ser" traduz seu pensamento de que qualquer movimento (e/ou mudança) não existe, pelo simples fato de que, se há movimento, há mudança, e se há mudança, algo que não era passou a ser (ou ao contrário: algo que era passou a não ser), o que contradiz a "regra" de sua afirmação (se o que é é e não pode não ser, é impossível que haja movimento, pois o movimento implica em mudança, o que, pela regra de Parmênides, não somente está errado como é impossível). Já Heráclito pensava justamente o contrário: "Panta rhei" ("tudo flui") é a sua afirmação. Heráclito identifica o ser, a arché, no movimento. Para ele, a única coisa que pode ser classificada de imutável é o próprio movimento, e todas as outras coisas que existem estão em permanente movimento, em permanente mudança, e é impossível que não seja assim. Heráclito exemplifica, dizendo que "não entramos duas vezes no mesmo rio", o que é verdade, pois as águas de um rio estão sempre mudando, as próprias células de seres orgânicos estão sempre renovando-se, e mesmo nos seres inorgânicos há mudanças (oxidação, erosão, etc).

Sócrates não interessou-se por este debate, por estar mais preocupado com o ser humano do que com o que é externo ao mesmo ser humano (a physis). Mas Platão e Aristóteles, sem descuidarem também deste enfoque dado por Sócrates ao ser humano, procuraram resolver esse problema levantados por dois dos filósofos da physis.

O continuador de Parmênides foi Zenão, autor dos famosos argumentos contra o movimento. Um desses argumentos é o seguinte: imagine uma tartaruga posta para correr ao lado de Aquiles, o herói grego, considerado invencível na corrida. Como a tartaruga é menor e mais frágil, Aquiles lhe dá 10 metros de vantagem. Num primeiro instante, Aquiles percorre esses 10 metros - mas a tartaruga também percorre alguns centímetros. Novamente Aquiles está atrás, e precisa cobrir a distânica. Porém ao fazê-lo dará tempo para que a tartaruga avance mais. E sempre haverá um espaço entre a tartaruga e Aquiles, acabando num abusrdo que comprovaria a inexistência daquilo que chamamos movimento. Por trás destes argumentos lúdicos, Zenão professava a mesma crença do seu mestre: a mudança é uma ilusão.

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