Quatro Nobres Verdades
Keywords: Quatro Nobres Verdades, Buda, Budismo, Nobre Caminho Óctuplo
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O que são as Quatro Nobres Verdades
As Quatro Nobres Verdades são o cerne filosófico e prático do Budismo, ou seja, quatro noções básicas que contextualizam demais os ensinamentos e práticas. Desde os primeiros discursos do Buda a seus discípulos, ele apresentou tais noções dessa maneira sistemática como um entendimento fundamental a partir do qual outros ensinamentos mais complexos e específicos podem ser compreendidos.
As citações que aparecem nesse texto são provenientes do Dhammacakkapavattana Sutta (Colocando a Roda do Dhamma em Movimento).
Quais são as Quatro Nobres Verdades
Dukkha ariya sacca
A primeira verdade nobre é a verdade nobre do sofrimento, insatisfação, mais precisamente, dukkha, que é uma das três marcas da existência. Ela quer dizer que a mente, tomada pela ignorância, não é capaz de dissociar a insatisfação da experiência sensorial.
- "Agora essa, monges, é a nobre verdade do sofrimento: o nascimento é insatisfatório, o envelhecimento é insatisfatório, a morte é insatisfatória; aflição, lamentação, dor, angústia e desespero são insatisfatórios; a associação com pessoas desagradáveis é insatisfatório, a separação dos entes queridos é insatisfatória, não obter o que se deseja é insatisfatório. Em resumo, os cinco agregados de apego/sustentação são insatisfatórios."
Dukkha samudaya ariya sacca
O desejo (pelo prazer sensual, desejo pelo devir, desejo por não-devir) é a origem de dukkha, a segunda nobre verdade. Aqui é apresentado o motivo pelo qual a mente ignorante nunca está plenamente satisfeita: através dos sentidos, entra em contato com sons, aromas, sabores, sensações táteis e idéias, e adquire apego às sensações agradáveis e aversão às desagradáveis. Entretanto, como o mundo está em constante mutação, esse desejo nunca se satisfaz.
- "E essa, monges, é a nobre verdade da originação do sofrimento: o desejo que causa um futuro devir — acompanhado pela paixão e deleite, saboreando ora aqui e ora lá — i.e., desejo pelo prazer sensual, desejo por devir, desejo por não-devir."
Dukkha nirodho ariya sacca
É através da compreensão do processo que causa a insatisfação que o desejo pode ser abandonado e assim alcançar a cessação da insatisfação, a terceira nobre verdade. Se a insatisfação surge porque a mente está constantemente projetando sua felicidade e sua tristeza na experiência sensorial, se esse condicionamento for eliminado é possível alcançar uma satisfação incondicionada.
- "E essa, monges, é a nobre verdade da cessação do sofrimento: esvanecimento e cessação, renúncia, abdicação, liberação e abandono sem residuo desse mesmo desejo."
Dukkha nirodha gamini patipada ariya sacca
A quarta verdade nobre é o caminho que conduz à cessação da insatisfação, ou seja, um conjunto de práticas que permitem reconhecer a verdadeira natureza da mente e sua relação com os sentidos, de forma que a experiência sensorial deixe de ser um aspecto condicionante da felicidade e tristeza, portanto eliminando a insatisfação em sua origem. Esse conjunto de práticas é conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo.
- "E essa, monges, é a nobre verdade do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento: precisamente esse Nobre Caminho Óctuplo — visão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta."
Consequências práticas e morais
Frequentemente, pessoas pouco familiarizadas com a cosmovisão budista associam as Quatro Nobres Verdades com uma perspectiva pessimista da vida, por abordá-la sob a perspectiva do sofrimento e insatisfação. Entretanto, uma análise criteriosa revela que de fato é uma concepção extremamente positiva, pois apesar de reconhecer a insatisfatoriedade associada à experiência sensorial (primeira verdade), defende que a causa dessa insatisfação pode ser conhecida (segunda verdade), eliminada (terceira verdade) e propõe uma maneira de se alcançar esse objetivo (quarta verdade).
Essencialmente, essa concepção coloca a moral não como oriunda de uma força, lei ou ser supremo, mas como uma ferramenta útil para desobstruir a mente de seus hábitos insalubres que obstruem a realização desse estado incondicionado.
