Revolução Russa
Keywords: Revolução Russa, 15 de março, 1917, 24 de outubro, 6 de novembro, Alexandre III da Rússia, Bolcheviques, Calendário juliano, Comunismo
- Revolução de fevereiro de 1917: o regime czarista esfarela-se, agravado pela Primeira guerra mundial. Revoltas devido ao desabastecimento e greves operárias estouram em março de 1917 (fevereiro, de acordo com o calendário juliano). Parte do exército, sobretudo os soldados, apóiam as greve. São formados soviets. Nicolau II abdica em 15 de março (no calendário juliano: 2 de março) e um governo provisório dirigido pelo príncipe Lvov é instaurado.
- Revolução de outubro de 1917 : após a volta à Rússia dos dirigentes bolcheviques exilados (Lênin, Zinoviev, Radek, etc.), os soviets preparam uma insurreição armada que derruba o governo provisório na noite de 6 de novembro (24 de outubro pelo calendário juliano) e toma o poder.
Orlando Figes
Segundo a perspectiva do historiador inglês Orlando Figes, a revolução russa deve uma boa parte ao conflito entre uma sociedade russa que se modernizava e as tendências autocráticas dos dois últimos czares, Alexandre III e Nicolau II:
:"Não há nenhuma razão para crer que o regime Czarista tinha de cair da forma como os deterministas marxistas afirmaram, devido a "contradições sociais". Ele podia ter sido salvo através de reformas. Mas aí é que está o problema. Pois os últimos Czares não queriam verdadeiras reformas. Em 1905 o Czar teve de facto de admitir reformas que não desejava, caso contrário teria sido tirado do trono, mas uma vez passada a crise ele voltou a juntar-se aos partidários da reação. Esta é a falha fatal da argumentação daqueles historiadores de direita que apresentam o império Russo nas vésperas da Primeira Guerra Mundial numa luz favorável. Eles afirmam que o sistema Czarista foi reformado de acordo com o modelo liberal e "modernizado". Mas os últimos dois Czares e seus apoiantes reacionários entre a nobreza, a Igreja e círculos de direita tinham uma relação com a "Modernização" que era no mínimo ambivalente. Eles sabiam, por exemplo, que precisavam de uma economia industrial moderna para poder concorrer com as potências ocidentais, mas ao mesmo tempo eram fortemente opostos às reivindicações políticas e à mudança social. Em vez de tomar parte na reforma, eles persistiam com teimosia na visão arcaica da Autocracia. Foi uma tragédia que precisamente no momento em que a Rússia entrava no século XX, eles tentavam traze-la de volta ao século XVII.
:Aqui estão pois as raízes da revolução: no conflito crescente entre uma sociedade cujo nível de educação aumenta rapidamente, que se torna cada vez mais urbana e complexa, e por outro lado uma autocracia empedernida, que não dá vazão às suas demandas políticas."
Orlando Figes, "A tragédia de um povo"
Entre 1860 e 1914, o número anual de estudantes universitários cresceu de 5.000 para 69.000. O número de jornais diários cresceu de 13 para 856 e o número de instituições públicas de 250 para mais de 16.000. (Figes)
Ver também
- Nikolai Gavrilovitch Tchernichevski
- Que fazer ?
- Narodnaja Wolja
- Tchorni Peredel
- Gulag
- George Gapon
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