Rock progressivo
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O rock progressivo é um ambicioso, eclético e muitas vezes grandioso estilo de música rock que apareceu nos fins da década de 1960 principalmente em Inglaterra, atingindo o pico da sua popularidadde no princípio da década de 1970, mas que até hoje continua a ser ouvido. O rock progressivo foi principalmente um movimento europeu que foi beber as suas principais influências à música clássica e ao Jazz fusion, em contraste com o rock americano historicamente influenciado pelo rhythm and blues e pela música country. Ao longo dos anos apareceram muitos sub-géneros deste estilo tais como o rock sinfónico e o metal progressivo. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados à esse gênero. Uma boa dose de músicas típicas regionalmente também se inseriu no estilo. thumb|350px|right|Yes em concerto Os artistas do rock progressivo procuraram fugir às limitações impostas pelas rádios, de modo a conseguirem atingir a sofisticação musical do jazz e da música clássica. Os fans do rock progressivo admiram o estilo pela sua complexidade, que requer um alto grau de virtuosismo por parte dos seus intérpretes. A crítica muitas vezes troça do género por ser demasiado pomposo e complacente. Isto deve-se ao facto de que ao contrário de outros estilos musicais consistentes como a música country ou o hip hop, o rock progressivo é difícil de definir de um modo conclusivo. Robert Fripp líder dos King Crimson chegou a mostrar de viva voz o seu desdém pelo termo. De muito poucas bandas usualmente conhecidas por tocarem este estilo, como os (Yes, Genesis, Emerson Lake and Palmer, Rush e King Crimson, só para nomear os suspeitos do costume) se pode dizer que têm o mesmo som. Do mesmo modo muitas bandas considerada “mainstream” ou rock em oposição a bandas progressivas, tocam sem dúvida o tipo de música associada ao progressivo – músicas longas, elaboradas, experimentais e virtuosas, como por exenplo a faixa de 10 minutos “Station to Station” de David Bowie. Até os Beatles poderiam ser incluídos neste estilo
As principais características do rock progressivo incluem:
- Composições longas, por vezes atingindo os 20 minutos, com melodias complexas e harmonias que requerem uma audição repetida por forma a compreendê-las. Estas são muitas vezes chamadas de épicas e são a melhor aproximação do género à música clássica. Um bom exemplo dos primeiros foi a peça de 23 minutos "Echoes" dos Pink Floyd. Outros exemplos famosos são: "Close to the Edge" dos Yes com 18 minutos, e "Supper’s Ready" dos Génesis com 23 minutos. Mais recentemente encontram-se exemplos extremos: "Light of Day, Day of Darkness" dos Green Carnation com 60 minutos e "Garden of Dreams" dos The Flower Kings com 64 minutos, embora dividido em 18 secções.
- Letras complexas e que expressam por narrativas impenetráveis tocando temas como a ficção científica, a fantasia, a religião, a guerra, o amor, a loucura e a história. Para além disso e reportando aos anos 70 muitas bandas progressivas (principalmente alemãs) usavam letras com cariz político de (esquerda) e preocupações sociais.
- Álbuns conceptuais, nos quais o tema ou história é explorado ao longo de todo o álbum de uma maneira similar a um filme ou a uma peça de teatro. Nos dias do vinil normalmente eram usados álbuns duplos com capas com gráficos bastante sugestivos e muito completas. Exemplos famosos disso incluem: The lamb lies down on Broadway dos Genesis, Tales from topographic oceans dos Yes, Dark side of the Moon e The wall dos Pink Floyd, e mais recentemente Metropolis part II. Scenes from a memory dos Dream Theater ou “Snow” dos Spock’s Beard.
- Vocalizações pouco usuais e uso harmonias vocais múltiplas: Magma, Robert Wyatt e Gentle Giant.
- Uso proeminente de instrumentos electrónicos particularmente de teclados como órgão, piano, Mellotron e sintetizador Moog em adição à combinação usual do rock de guitarra, baixo, e bateria, além de instrumentos pouco ligados à estética rock (cello, bandolim, trompetes, corne inglês). A busca de novos timbres e novos padrões sonoros, conseguidos naturalmente através desses instrumentos ou tratados em estúdios, também sempre foi uma obsessão de seus músicos e admiradores, ávidos por atingirem (e arrombarem) as portas da percepção sonora.
- O uso de syncopation, pouco usuais ritmações, escalas musicais ou sintonias sonoras. Algumas peças usam múltiplas time signatures e tempos muitas vezes sobrepostos. Os King Crimson combinaram muitas vezes muitos deste elementos na mesma música. Muitas das músicas dos Rush são em parte ou completamente na métrica de 7/8. “Dance of eternity” dos Dream Theater, é diabolicamente difícil de tocar, tendo mudanças de escala numa sequência de 5/8-5/8-7/8-5/8-7/8-5/8-5/8-7/8.
- Enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo dos músicos, sendo esta o tipo de actuação que contribuiu para a fama de intérpretes como o teclista Rick Wakeman e o baterista Neil Peart
- Inclusão de peças clássicas nos álbuns. Os Yes por exemplo, começavam os seus concertos com um excerto gravado de “Firebird suite” de Igor Stravinsky e os Emerson Lake and Palmer tocavam arranjos de peças de Aaron Copland, Bela Bartok, Modest Mussorgsky, Sergei Prokofiev, Leos Janek e Alberto Ginastera, e muitas vezes misturavam partes extensas de peças de Johann Sebastian Bach. Os Marillion começaram concertos com “La Gaza Ladra” de Gioachino Rossini e deram esse nome ao seu terceiro álbum ao vivo. Os Symphony X inspiraram-se e incluíram peças de Ludwig van Beethoven, Gustav Holst e Wolfgang Amadeus Mozart. Os Emerson Lake and Palmer chegaram mesmo ao ponto de tocarem clássicos. Pictures at na exibition é o melhor exemplo disso, sendo uma peça de Mussorgsky à qual foi acrescentada uma letra. Outros exemplo são “The Barbarian” (um arranjo para piano da peça “Allegro Bárbaro” de Bela Bartok e “Knife edge” (um arranjo com letra da “Sinfonietta” de Leos Janacek em conjunto com “French suite em Ré menor de Bach.
As composições do rock progressivo muitas vezes seguem estes modelos:
- A forma de uma peça que é sub-dividida em várias à maneira da música clássica. Um bom exemplo disso é “Close to the edge” dos Yes no álbum com o mesmo nome, que é dividida em quatro partes. Outro exemplo é “A change of seasons” dos Dream Theater, que é dividida em sete partes.
- Composição feita em duas ou mais peças, estilo “manta de retalhos”. Bons exemplos são: “Supper’s ready” dos Genesis no álbum Foxtrot ou a música “A day in the life” dos Beatles em Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Mais recentemente isto pode ser ouvido em “Paranoid android” dos Radiohead no álbum “Ok computer”.
- Uma peça que permite o desenvolvimento musical em progressões ou variações à maneira de um bolero. “King Kong” do álbum Uncle meat de Fank Zappa é um bom exemplo.
Os princípios dos anos 80 assistiram ao revivalismo do género, bandas através de bandas como os Marillion. Os grupos que apareceram nesta altura são por vezes chamados de “neo-progressivos”. Por esta altura alguns dos grupos leais ao rock progressivo mudara a sua direcção musical, simplificando as suas músicas e incluindo mais abertamente, elementos electrónicos. Em 1983 os Genesis alcançam um grande êxito internacional com o single “Mama”, que tinha um forte ênfase na bateria eletrônica. Em 1984 os Yes alcaçam também um grande êxito com “Owner of a lonely heart”, que continha (para a altura) efeitos electrónicos modernos e era acessível a ser tocada em discotecas.
Nos anos 90 outras bandas pegaram no estilo, com a chamada “third wave”. Bandas como os suecos The Flower Kings, os ingleses Porcupine Tree e os americanos Spock’s Beard, para além dos Smashing Pumpkins, uma das bandas mais importantes do movimento rock alternativo, que incorporaram o rock progressivo no seu estilo único e eclético, editando dois álbuns à base desse conceito.
Mais recentemente, a categoria mais viável comercialmente dentro do progressivo é o metal progressivo. Estas bandas gostam normalmente, de serem chamadas de progressivo e produzem músicas longas e álbuns conceptuais, como o renasscimento da ética progressiva dos anos 70. Algumas dessas bandas (particularmente os “Dream Theater” citam como sua influência os primeiros “progressivos” designadamente os Rush. O grupo mais conhecido são os Tool que gozaram de grande popularidade em 90 e 2000. Entretanto, outras bandas de heavy metal, não consideradas progressivas, como os System of a Down têm incorporado elementos progressivos na sua música.
O trabalho de grupos contemporaneous como os Radiohead e bandas post rock como os Sigur Rós e os Godspeed You! Black Emperor, pode dizer-se que incorporam alguns dos elementos experimentais do rock progressivo por vezes combinadas com as sensibilidades estéticas do punk rock para fazer música que muitos acham inovadora e imaginativa. Os Mars Volta notabilizaram-se por fundirem intencionalmente o punk rock com o progressivo estilos que já estiveram em pólos completamente opostos. Entre os músicos mais experimentalistas e de vanguarda, o compositor japonês Takashi Yoshimatsu cita o rock progressivo como sendo a sua primeira influência.
Ver também
- Lista de músicos de rock progressivo
- Lista de músicas pop baseadas na música clássica
Ligações externas
- Prog Archives
- MusicMoz Directory - Progressive Rock
- Gibraltar Encyclopedia of Progressive Rock
- Tommy's Forest of Progressive Rock
- Dutch Progressive Rock Page
- Somethingprog
- Progged Radio
- Babyblaue Seiten: Prog-Reviews (em alemão)
- The Dutch Progressive Rock Page
- Axiom of Choice
- BajaProg festival
- Proggnosis
