Estilo românico
Keywords: Estilo românico, 1140, 1217, 1705, Abside, Abóbada, Alcobaça (Portugal)
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O estilo românico é um estilo de arquitectura caracterizado por construções austeras e robustas, com paredes grossas e minúsculas janelas. A principal função destas estruturas era a de resistir aos ataques dos inimigos.
Este estilo é predominante durante a Idade Média. Um dos melhores expoentes do românico em Portugal é a Sé Velha de Coimbra, cuja construção data do século XII.
Em Portugal
Durante a reconquista, de que nasceu Portugal, a arte peninsular não muçulmana continuava, na maior parte, os velhos modelos visigóticos, quer revestindo as formas moçorabes duma arte popular, do cristão submetido, a qual fundia elementos da tradição hispano-visigótica com os de origem cordovesa, quer adquirindo características ainda mais originais no reino das Astúrias, onde a remota arte visigótica se esfumara com a influência carolíngia, lombarda e romana.
As conquistas de Sancho de Navarra e Aragão, alargando o seu domínio, desimpediram o que viria a ser o famoso «caminho francês» para Santiago de Compostela, cuja célebre catedral, reconstruída a partir de 1705, é o mais acabado monumento peninsular da nova arquitectura românica, obedecendo ao padrão dos templos de peregrinação, como São Saturnino de Toulouse.
O alçado do alta nave inscreve os arcos redondos, o andor do trifório, e colunas adossadas À parede, donde arrancam os arcos torais da sua abóbada de barço. A Sé de Braga, o primeiro monumento românico português, deriva de Compostela, adaptada à sua função de metropolita, e não de templo de peregrinação, donde a planta ter sido a duma igreja de três naves, com transepto e cabeceira composta apenas de capeça-mor e absídiolos. Do século XII são ainda o portal principal, modificado nos séculos XV e XVI, e a porta lateral, ou do Sol com decoração da época.
Este românico de Braga irradiou por toda a região de Entre Douro e Minho, sobretudo nos elementos decorativos, pois são raras as igrejas de três naves, como as de Travanca, Pombeiro e São Pedro de Rates. Define-se ainda outro e importante grupo com as igrejas de Paço de Sousa, Roriz, Cete e Fonte Arcada, já dos séculos XII e XIII, caracterizadas principalmente pelas arcaturas torreadas e emprego alternado de colunas cilíndricas ou prismáticas, além de especial lavor na decoração dos ábacos e plintos. Na zona raiana, influenciada pelo românico da Galiza, distribuem-se as igrejas de Ourada, São Fins de Friestas e Ganfel, a mais notável de todas, pelas suas três naves e impressionante escultura de capitéis.
A planta da Sé do Porto é de três naves com transepto. Vários vestígios românicos são visíveis em todo o monumento como nas bases das torres e na fachada do transepto. Nos arredores da cidade, a igreja de Santa Marinha de Águas Santas, de uma só nave, com ábside quadrangular e absídiolo, dinstingue-se pelos portais, as frestas e os capitéis esculpidos.
Na cidade de Bragança ergue-se um dos mais importantes monumentos da Europa, a Domus Municipalis, simples e admirável exemplar da arquitectura românica civil.
Santa Cruz de Coimbra, apesar da transformação que sofreu com o manuelino, conserva ainda vestígios da primitiva contrução românica. A Sé Velha é típica do românico com três naves, a central de abóbada de berço, transepto pouco pronunciado e cabeceira de ábside e absídiolos semi-circulares. A escultura dos capitéis é a mais representativa do românico em Portugal. A Sé de Coimbra irmana-se com a de Lisboa, que lhe é posterior, talvez pelos mesmos mestres, Roberto e Bernardo, trabalharem em ambas, em meados do século XII. Além de ter mais um tramo e torres, o monumento de Lisboa tem os arcos e pilares num românico mais evoluído.
Na Estremadura encontramos ainda as igrejas de S. João do Alporão, em Santarém, monumento de transição para o gótico; S. Pedro de Leiria e Sta. Maria de Alcácer do Sal (1217).
Quando a Reconquista chegou ao sul do país, o românico estava a terminar. A planta da Sé de Évora é de três naves com transepto muito saliente e tradicional lanterna no cruzeiro. É, no entanto, o mais nacional dos monumentos portugueses, pois assimilou as formas eruditas às tradicionais populares. A Ordem de Cister trouxe, com a sua reforma, uma arte mais austera com o emprego de arcos apontados e abóbadas de berço quebrado, como em São João de Tarouca, o primeiro mosteiro da ordem fundado em 1140.
Igrejas menores, como as de Santa Maria de Fiães, Santa Maria de Aguiar e Santa Maria do Bouro, filiam-se neste grupo, em que se impõe, pelas dimensões, o mosteiro de Alcobaça. A cabeceira, com deambulatório e capelas radiantes de abóbadas de berço, é antiga, ao lado das construções dos arcos botantes exteriores. Ao longo da sua construção medieval, o mosteiro de Alcobaça ilustra a passagem da arquitectura cisterciense do românico para o gótico.
Ver também
Estilo românico
Românico, Estilo
