Rosa-cruz

Keywords: Rosa-cruz, 1378, 1393, 1407, 1484, 1586, 1604

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"The Temple of the Rosy Cross," Teophilus Schweighardt Constantiens, 1618

Rosa-cruz (Rosacruz ou Rosacrucianismo) refere-se a diversas organizações místicas e esotéricas, normalmente denominadas fraternidades ou Ordens, que reinvindicam-se herdeiras de tradições antigas e que usam rituais associados à Franco-maçonaria.

A Ordem Rosacruz foi fundada, segundo certas lendas, por Christian Rosenkreuz, peregrino do século XV. Alguns historiadores apontam, contudo, a sua origem num grupo de protestantes alemães, em 1604 ou 1605.

O símbolo que identifica a Ordem é normalmente composto de uma ou mais rosas decorando uma cruz. Em alguns casos é usada uma cruz envolvida por uma coroa de rosas, junto ao símbolo pode aparecer um duplo triângulo ou uma estrela, em outros casos é simplesmente uma cruz tendo uma rosa ao centro. Algumas vezes a rosa ou a cruz é adornada com símbolos cabalísticos e alquímicos. O símbolo varia dependendo da fraternidade em questão.

Rosa-cruz também designa o sétimo e último grau ou quarta ordem do rito maçônico francês, que tem como símbolos principais o pelicano, a rosa e a cruz. A expressão "Rosa-cruz" pode designar também o maçom que atingiu o grau de Cavaleiro Rosa-cruz.

Diversos pensadores rosacruzes defendem que o rosacrucianismo não é apenas uma fraternidade ou Ordem constituída mas, mais que isso, uma corrente de pensamento, cuja filiação ocorre pela adoção de certas posturas de vida. Nesta visão, as escolas e fraternidades são apenas expositoras da doutrina rosacruz.

O Rosacrucianismo também é muitas vezes designado como cristianismo esotérico.

Conteúdo

História e lenda

Segundo a lenda Rosa-Cruz, exposta no documento histórico fundador da Ordem, "Fama Fraternitatis" (1614), a Ordem teve suas origens em Christian Rosenkreuz (de início apenas designado por "Irmão C.R.C."), nascido em 1378 na Alemanha, junto ao rio Reno. Os seus pais teriam sido pessoas ilustres, mas sem grandes posses materiais. A sua educação começou aos quatro anos numa abadia onde aprendeu grego, latim, hebraico e magia. Em 1393, acompanhado de um monge, visitou Damasco, o Egito e Marrocos, onde estudou com mestres das artes ocultas, depois de o seu mestre ter morrido em Chipre. Após seu retorno a Alemanha, em 1407, terá fundado a "Ordem da Rosa Cruz", de acordo com os ensinamentos obtidos pelos seus mestres árabes, que o teriam curado de uma doença e iniciado no conhecimento de práticas do ocultismo. Terá passado, ainda, cinco anos na Espanha onde três discípulos redigiram os textos fundadores da sociedade. Depois, teriam formado o "Novo Templo do Espírito Santo" onde, através da cura de doenças e do amparo daqueles que necessitavam de ajuda, foram construindo a fraternidade, que pretendia, no futuro, guiar os monarcas na boa condução dos destinos da humanidade. Christian Rosenkreuz morreu em 1484, e a localização da sua tumba permaneceu desconhecida durante 120 anos até 1604, quando teria sido, secretamente, redescoberta.

De acordo com uma lenda menos conhecida, veiculada na literatura maçónica, a Ordem Rosa-cruz teria sido criada no ano 46, quando um sábio gnóstico de Alexandria, de nome Ormus e seis discípulos seus foram convertidos por Marcos, o evangelista. A Ordem teria nascido, portanto, da fusão do cristianismo primitivo com os mistérios da mitologia egípcia. Rosenkreuz teria sido, segundo esta ordem de ideias, apenas um Iniciado e, depois, Grande Mestre - não o fundador.

A existência real de Christian Rosenkreuz divide os Rosa-cruzes. Alguns a aceitam, outros o vêem como um pseudônimo usado por personagens realmente históricos (Francis Bacon, por exemplo).

Historicamente a Ordem tem seu início com a publicação em Kassel do documento Fama Fraternitatis ("Testemunho da Fraternidade") em 1614. Os outros dois documentos importantes na fundação da Ordem Rosa-Cruz foram: Confessio Fraternitatis ("Confissões da Fraternidade Rosacruciana") (1615) e Die Chymische Hockeit Christiani Rosenkreuz ("As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreutz") (1616).

A publicação destes textos provocou imensa excitação por toda a Europa, provocando inúmeras reedições e a circulação de diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções do(s) autor(es) original(ais) dos textos, cuja identidade é desconhecida. Existem, contudo, fontes que atribuem os dois primeiros, assim como a criação do termo "Ordem Rosacruz", ao teólogo Johannes Valentinus Andreae (1586-1654), como se fosse o contraponto da Companhia de Jesus. Esta teoria é contestada por historiadores, principalmente pelos católicos, que consideram os documentos como simples propaganda ocultista, de inspiração protestante, contra a influência do bispo de Roma.

Os textos são constituídos por diálogos, em que participam, como personagens, sete sábios gregos que discorrem sobre a necessidade de reforma da sociedade humana, a nível religioso e não só, e sobre a forma de atingir esse objectivo através de uma sociedade secreta que promoveria essa mudança no mundo. As "Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreutz", contudo, foi escrito em forma de romance, pleno de simbolismo descreve um episódio iniciático na vida de Christian Rosenkreuz, quando já tinha 81 anos.

Da Alemanha, os Rosa-cruzes estabelecem a primeira sociedade em Paris, em 1622 ou 1623, onde foram colocados posters misteriosos nas paredes. Estes posters incluiam o texto: "Nós, os Deputados do Alto Colégio da Rosa-Cruz, fazemos a nossa estadia, visível e invisível, nesta cidade (...)" e "Os pensamentos ligados ao desejo real daquele que busca irá guiar-nos a ele e ele a nós".

A sociedade europeia da época, dilacerada por guerras, tantas vezes originadas por causa da religião, favoreceu a propagação destas ideias que chegaram, em pouco tempo, até Inglaterra e Itália.

Tradições

Os primeiros seguidores são, geralmente, identificados como médicos, alquimistas, naturalistas, boticários, adivinhos, filósofos e homens das artes acusados muitas vezes de charlatanice e heresia pelos seus opositores.

Aparentemente sem um corpo dirigente central, assumem-se como um grupo de "Irmãos" (Fraternidade).

Tradicionalmente, os Rosacruzes se dizem herdeiros de tradições antigas que remontam à alquimia medieval, ao gnosticismo, ao ocultismo, ao hermetismo no antigo Egito, à cabala e ao neo-platonismo.

Em The Muses' Threnodies por H. Adamson (Perth, 1638) encontram-se a linhas "Pois o que pressagiamos são tumultos em grande, pois nós somos irmandade da Rosa Cruz; Nós temos a Palavra Maçónica e a segunda visão, Coisas por acontecer nós podemos prever acertadamente.". O texto se refere ao conhecimento esotérico que é tradicionalmente atribuido aos rosacruzes.

Princípios e objetivos

De um modo geral os rosacrucianos defendem a fraternidade universal entre todos os homens. Para os rosacrucianos, os homens podem desenvolver suas potencialidades para tornarem-se melhores, mais sadios e felizes. O rosacrucianismo tem por objetivo primordial levar o homem ao autoconhecimento e à manifestação de sua real natureza espiritual.

Estes objetivos, segundo os rosacrucianos, podem ser atingidos por meio de uma mudança pessoal, de hábitos, pensamentos e sentimentos. Segundo eles, isto só é possível ao dissipar o véu de ignorância que cobre os olhos dos homens.

A recompensa daqueles que atingem este objetivo, que é de natureza espiritual, é uma paz profunda consigo próprio; estado este que se irradia do indivíduo e atinge todos em volta, produzindo em todos um reflexo positivo.

Principais Organizações Rosacruzes na Atualidade

Entre as diversas actuais Organizações Rosacruzes - que normalmente se organizam numa estrutura maçônica formada por graus, que o aspirante atinge através de iniciações - destacam-se a Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz (AMORC), com sede mundial em São José na Califórnia, EUA, que diz ter sido fundada no Antigo Egito, e organizada pelo Faraó Amenófis IV (também conhecido como Akhenaton), por volta de 1500 a.C.; a Fraternitas Rosae Crucis (FRC) também com sede mundial nos EUA, que se reinvindica a autêntica Ordem Rosa-Cruz fundada em 1614 na Alemanha, à qual pertenceu o famoso Rosa-Cruz Paschal Beverly Randolph; e a Fraternitas Rosicruciana Antiqua (FRA), fundada em 1933, com sede no Rio de Janeiro (que está presente também nos países de língua hispânica). São as organizações mais conhecidas e com maior número de membros.

Existem diversas Fraternidades Rosacruzes, baseadas nas idéias de Max Heindel, que sustentam que a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos mundos espirituais, e que a escola é expositora de suas doutrinas e preparatória do indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual.

Lista de instituições relacionadas

Rosacruzes famosos

Textos de referência

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