Sardoal

Keywords: Sardoal, Abrantes, Alcaravela, Correio electrónico, Câmara Municipal, Distrito de Santarém, Freguesia, Mação, Município, Médio Tejo

Município do Sardoal
150px|Brasão do Município do Sardoal 150px|Bandeira do Município do Sardoal
Brasão Bandeira
Localização do Sardoal
Localização
Região Centro
Subregião Médio Tejo
Distrito Santarém
Área 91,94 km²
População 4 104 (2001)
Número de freguesias 4
Endereço dos
Paços do Concelho
Sítio oficial
Endereço de
correio electrónico
Municípios de Portugal

O Sardoal é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Santarém, região Centro e subregião do Médio Tejo, com cerca de 2 300 habitantes.

É sede de um pequeno município com 91,94 km² de área e 4 104 habitantes (2001), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Vila de Rei, a leste por Mação e a sul e oeste por Abrantes.

As freguesias do Sardoal são as seguintes:

História

Nalguns locais do concelho de Sardoal têm sido encontrados vestígios da presença do Homem desde tempos muito antigos. No Alto de S. Domingos, próximo da Vila de Sardoal, no monte que fica à nossa esquerda, quando se avistam a aldeia de S. Simão (que durante séculos foi designada por Alferrarede) foram encontrados alguns objectos de pedra polida, de que existem dois exemplares na Câmara Municipal, sabendo-se que outros foram levados para um Museu em Santarém e que existem, ainda, outros na posse de particulares. Também nos castelos, a sul da aldeia da Cabeça das Mós, próximo da Ribeira das Caldeiras, existem vestígios de uma povoação, que pela sua dimensão denota ter sido importante, mas sobre as suas origens pouco se conhece. Conhecem-se outros vestígios da antiguidade, como, por exemplo, próximo da Lapa, no Cabril, no Curral da Serra, etc. que deveriam ser objecto de uma investigação arqueológica, para se poder determinar a história das suas origens. Do período da ocupação romana ficaram, também, alguns sinais, como por exemplo um troço de calçada romana, junto ao casal da Graça, a sul de Valhascos e um outro pequeno troço, próximo da Ponte de S. Francisco. Dos Árabes, ainda que não se conheçam vestígios da sua presença, é seguro que aqui permaneceram durante muito tempo, uma vez que este povo conquistou Abrantes aos Godos em 716 e só em 1148 D. Afonso Henriques tomou a Praça de Abrantes e dada a proximidade e a relação de vizinhança que sempre existia entre Sardoal e Abrantes, não é difícil de acreditar que tenham ocupado o que é, hoje, o Concelho de Sardoal.

Em 1313, no documento mais antigo que existe no Arquivo Municipal, a rainha Santa Isabel, Mulher de D. Dinis, dirige-se já aos Juizes e Procuradores do Concelho de Sardoal, concedendo, ao então, lugar do Sardoal, diversos privilégios. Alguns historiadores defendem que foi esta a rainha, que foi donatária do Sardoal, que deu ao Sardoal o seu primeiro foral, ainda que, até agora, não tenha sido localizado este importante documento. Desde então quase todos os reis de Portugal dedicavam a sua atenção ao Sardoal, como o comprovam, as muitas cartas régias que se guardam no Arquivo Municipal de Sardoal ou que se encontram registados nas diversas chancelarias régias, sendo certo que vários reis de Portugal aqui permaneceram muitas vezes, o que se comprova pela existência de vários documento reais, dados no Sardoal, por D. Pedro I, D Fernando, D. João I, D. Duarte, D. Afonso e D Manuel I, sabendo-se que em 7 de Dezembro de 1432, aqui nasceu a Infanta D. Maria, Filha de D. Duarte e de D. Leonor, sua mulher, que morreu no dia seguinte. Em 22 de Setembro de 1531, D. João III, por sua vontade expressa e sem ninguém lho requerer, por carta dada em Évora, elevou o lugar de Sardoal à categoria de Vila e, em 10 de Agosto de 1532, por carta dada em Lisboa mandou-lhe demarcar um novo termo, mais de acordo com a nova categoria passava a ter, decretando que a partir de 1531, o Sardoal passasse a ser totalmente independente em relação a Abrantes, passando a ter jurisdição própria e apartada em todas as áreas do poder municipal. No principio do século XVII (1605), durante o domínio Filipino, foram os Paços do Concelho transferidos do local onde se encontravam, quase seguramente o actual edifício chamado “Cadeia Velha” , para o edifício onde hoje se encontram, registando-se a curiosidade de nessa altura a actual Praça da República se chamar Praça Nova e de a Rua Vasco Homem já ter essa designação. Por aqui passaram a 1º e a 3º Invasões Francesas, comandadas, respectivamente, por Junot e Massena, em 1807 e 1811. As tropas de Napoleão cometeram aqui vários desmandos, roubando e saqueando as Igrejas, cujas pedras partidas, ainda hoje evidenciam os acros de vandalismo praticados pelos franceses. O último rei de Portugal a visitar o Sardoal foi D. Carlos, em Junho de 1907, poucos meses antes da sua morte, que ocorreu num atentado, Regicídio, ocorrido no dia 1 de Fevereiro de 1908. Em 1970 , o Sardoal recebeu a visita do então Presidente da República, Almirante Américo Tomás, sendo também visitada, em 19 de Setembro de 1981, pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes. A expansão urbana da Vila de Sardoal, de sul para norte, deixa perceber a relação desta terra com alguns períodos importantes da História de Portugal, nomeadamente com o período dos Descobrimentos. De facto, o século XVI pode considerar-se o “século de ouro” da história do Sardoal. Para confirmar esta afirmação basta recordar o seguinte:

Sabe-se, também, que muitos Sardoalenses participaram nos Descobrimentos e nas conquistas de África, da Índia e do Brasil, situação a que não seria estranho o facto de o Senhorio do Sardoal pertencer aos Almeidas (família dos Condes de Abrantes), que ocupavam, nesse tempo, os mais altos cargos de governação do Reino. Bastará recordar o facto de D. Francisco de Almeida, 1º Vice- Rei da Índia, ter sido Comendador do Sardoal. Refere-se, por curiosidade, a tradição popular transmitida de geração em geração, que diz que os freixos que ladeiam a escadaria do convento de Santa Maria da Caridade, terem sido trazidos d Índia, na segunda viagem de Vasco da Gama. Confirmada está, também, a participação de muitos Sardoalenses na fatídica jornada de África de D. Sebastião em que muitos morreram ou ficaram cativos, na Batalha de Alcácer-Quibir, como se pode verificar em diversas escrituras pelas quais foram vendidas diversas fazendas para pagamento do resgate dos que se encontravam em cativeiro. Também aqui se fizeram sentir os reflexos das riquezas vindas do Brasil nos finais do Século XVII e nos princípios do Século XVIII, a que não será alheio o facto de ter sido um sardoalense, D. Gaspar Barata de Mendonça, ter sido o 1º Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil, que se encontra sepultado num rico mausoléu no altar- mor da Igreja de Santa Maria da Caridade, o qual por razões de saúde, nunca chegou a deslocar-se ao Brasil, o que não impedia que recebesse as rendas e benefícios inerentes às suas elevadas funções episcopais. A referida riqueza reflecte-se no riquíssimo retábulo de talha dourada e no revestimento de azulejos do altar- mor da Igreja Matriz de Sardoal, no altar- mor e azulejos da Igreja da Misericórdia, no Altar- mor e altares colaterais da Igreja da Misericórdia, no altar- mor e altares colaterais da Igreja de Santa Maria da caridade e na sua Sacristia, na construção da casa Grande ou dos Almeidas e na fundação de diversas quintas nos arredores do Sardoal, como a Quinta do Vale da Lousa ou do Constâncio, a Quinta das Gaias, a Quinta do Arcez, etc.

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