Sinagoga Portuguesa de Amsterdão
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thumb|250px|Sinagoga Portuguesa de Amsterdão A Sinagoga Portuguesa de Amsterdão, denominada de "Esnoga" (Pronúncia holandesa: snoge), situada numa rua (Visserplein) próxima do centro histórico de Amsterdão, frente ao Museu da história judaica de Amsterdão, é um edifício monumental que foi mandado construir no século 17 (o chamado século de ouro da Holanda) pela congregação de Judeus de origem Sefaradita de Amsterdão "Talmud Tora" (Congregação Portuguesa Israelita de Amsterdão). Hoje, após a Segunda Guerra Mundial e o resultante extermínio dos judeus (Holocausto), não existem mais do que 700 membros da Congregação. Apesar disso, o imponente edifício, que escapou milagrosamente à destruição pelos nazis (a maioria das sinagogas alemãs foram incendiadas) permanece aberto ao público.
A 12 de Setembro de 1670 foi comprado o terreno para a construção da Sinagoga Portuguesa de Amsterdão. Foi projectada pelo arquitecto holandês Elias Boumann. As obras começaram a 17 de Abril de 1671. A esnoga seria inaugurada a 2 de Agosto de 1675.
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História da Comunidade Sefaradita de Amsterdão
Após a expulsão dos judeus de Espanha pelos "Reis Católicos" através do Decreto de Alhambra de 1492, cerca de 130.000 fugiram para Portugal, onde haveria um número semelhante de judeus portugueses.
Em 1496, no reinado de D. Manuel I, todos eles seriam obrigados à conversão ao catolicismo, quer sejam judeus portugueses ou espanhóis. Começava a perseguição activa aos judeus em Portugal, que se iria consolidar com a entrada em funcionamento em 1540 do Tribunal da Inquisição, que perdurou até 1821.
Foi a partir daqui que se falou dos chamados "Cristãos-Novos", ou seja, os descendentes dos judeus convertidos à força. Foram perseguidos e oprimidos, por várias razões. Muitas vezes por inveja do seu poder económico - grande parte dos judeus sabia ler, enquanto que a esmagadora maioria dos católicos era analfabeta; também a Igreja Católica desempenhava um papel desencorajador da actividade económica, proibindo a usura. Os judeus, em Portugal, como tão frequentemente em outras partes do mundo, constituiam uma elite na Cultura, na Economia, na Medicina, na Cartografia e na Ciência em geral (uma tendência que continua a prevalecer - ver lista de prémios Nobel de religião judaica aqui).
Por volta de 1596, muitas famílias portuguesas de ascedência judaica, fartas da opressão em Portugal e desejosas de voltar a praticar abertamente a sua religião, rumaram a Amsterdão (entre muitos outros destinos de refúgio).
Nessa altura, entre 1580 e 1640, Portugal pertencia à União Ibérica dos Reis Filipes, uma aliança de tradição católica, em guerra aberta com a Inglaterra (Ver: A Armada Invencível) e a Holanda, países protestantes. Foi também nesta altura que a Inquisição Espanhola, praticada também no sul da Holanda avivou a fama terrível que os Espanhóis têm na Holanda de ser um povo bárbaro, das trevas. A Holanda, país onde a Reforma Protestante ganhara muitos adeptos, tinha sido um território dependente da Espanha católica, e lutava agora pela independência política e religiosa, ver: Guerra dos 80 Anos, a guerra da independência holandesa.
Assim se explica que não só os judeus portugueses que se refugiaram em Amsterdão, mas também os judeus espanhóis, se tenham rotulado de "Portugueses" para evitar a identificação com a Espanha inimiga. left|thumb|250px|Interior da Sinagoga Os judeus ibéricos (os chamados Sefaraditas) em breve se tornariam uma minoria, com o afluxo de judeus dos territórios da Europa de Leste (os chamados Asquenazitas), mais numerosos mas normalmente mais pobres do que os "Portugueses", que ganharam na Holanda um rótulo de gente de cultura, de dinheiro e influência política. Hoje, os nomes de família portugueses na Holanda (muito poucos, depois da invasão pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial mais de 80% dos judeus holandeses foram exterminados pelos Nazis), têm ainda uma aura de prestígio, intimamente ligado ao afluxo de judeus portugueses nos séculos 16 e 17.
Os judeus portugueses desempenharam um papel importante no desenvolvimento cultural e económico da República dos Países Baixos. Desfrutaram ali da liberdade de culto e de expressão, invejáveis para a maioria dos judeus nas restantes partes do mundo.
A comunidade judaica portuguesa produziria muitas figuras de renome nacional e internacional, rabinos, eruditos, filósofos, banqueiros, fundadores de companhias de comércio internacional. Alguns desses nomes que já têm ficha na Wikipedia portuguesa: Baruch de Espinoza, Isaac de Pinto, David Ricardo. A desenvolver brevemente: Menasseh ben Israel, Uriel Acosta.
David Landes
O historiador David Landes viu na saída das comunidades judaicas da península ibérica no século XVI um factor prejudicial para as sociedades e economias ibéricas, anunciando o declínio de Portugal e Espanha no concerto da nações, então no auge da sua influência. Em "A riqueza e pobreza das nações", relata-nos Landes:
- "Quando os Portugueses conquistaram o Atlântico Sul, eles estavam na linha da frente das técnicas de navegação. A abertura para a aprendizagem com sábios estrangeiros, muitos deles Judeus, tinha trazido conhecimento que se traduzia directamente na aplicação prática, e quando em 1492 os Espanhóis decidiram obrigar os seus Judeus a adoptar o Cristianismo ou a sair, muitos encontraram refúgio em Portugal, então com uma política mais relaxada face ao Judaísmo. Mas em 1497, pressão da Igreja Romana e de Espanha levou a coroa portuguesa a abandonar esta tolerância. Cerca de 70.000 judeus foram forçados a um baptismo meramente formal. Em 1506, Lisboa viu o seu primeiro pogrom, que matou dois mil Judeus "convertidos" (a Espanha já vinha fazendo o mesmo desde há duzentos anos). A partir daí a vida intelectual e científica de Portugal desceu a um abismo de intolerância, fanatismo e pureza de sangue.
- O declínio foi gradual. A Inquisição portuguesa foi instalada apenas na década de 1540 e queimou o seu primeiro herético em 1543; mas só se tornou cruelmente amedrontante a partir de 1580, após a união das coroas portuguesa e espanhola sob a pessoa de Filipe II de Espanha. Entretanto, os cripto-judeus, incluíndo Abraão Zacuto e outros astrónomos, acharam a vida em Portugal suficientemente perigosa para saírem em grandes números.
- ... Os cientistas, matemáticos e físicos cripto-judeus do passado tinham saído. Nenhuma outra minoria dissidente apareceu para tomar o lugar deles... se os ganhos da troca de mercadorias são importantes, esses ganhos são ainda pequenos comparados com os ganhos da troca de idéias".
Veja também
Apontadores Externos
- Cronologia Histórica da Etnia Judaica Ibero-Brasileira (aborda também a expulsão dos Judeus de Portugal)
