Tomás de Aquino

Keywords: Tomás de Aquino, 1227, 1274, 7 de Março, Alquimia, Aquino, Aristóteles

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Tomás de Aquino (1227-1274)

Tomás de Aquino (perto de Aquino, Itália, 1227 - Paris, 7 de Março 1274), tido como santo pela Igreja Católica, foi um frade dominicano e teólogo italiano.

Nascido numa família nobre, estudou filosofia em Nápoles e foi depois para Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Depois de vencer persistentes oposições familiares, conseguiu entrar na Ordem fundada por São Domingos de Gusmão. Foi mestre em Paris e morreu na Abadia de Fossanova quando se dirigia para Lião a fim de participar no Concílio.

Seus interesses não se restringiam a religião e filosofia, mas também interessou-se pelo estudo de alquimia, tendo publicado uma importante obra alquímica chamada "Aurora Consurgens". O mérito transcendente de São Tomás consistiu em introduzir aristotelismo na escolástica anterior. A partir de São Tomás a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão.

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Catholic Encyclopedia: St. Thomas Aquinas

Nascido em 1224/25 no Castelo de Rocasecca, entre Roma e Nápoles advindo de família aristocrática, italiano por nascimento mas, germânico por ascendência. Cresce sob um contexto social influenciado pelos imperadores germânicos. Aos 6/7 anos é enviado para Monte Cassino, no limite dos territórios imperiais e pontifícios. Tudo nos leva a crer que era desejo de seus familiares que o pequeno Tomás seguisse carreira no corpo eclesiástico, com aproximadamente 17 anos segue para estudar na Universidade de Nápoles onde conhece a lógica e a filosofia natural de Aristóteles e também trava contato a ordem mendicante dos dominicanos e logo ingressará em suas fileiras. Fato que escandaliza sua família, que manda “busca-lo” de forma não muito amistosa. Assim, é mantido por uns bons meses na propriedade paterna, de forma compulsória. Consegue convencer a todos que não mais pertence àquela realidade, seu caminho já estava definido: ruma para então renomada universidade de Paris, principal centro irradiador de cultura da Cristandade, que consiste num pólo que atrai jovens mentes de todas as partes. Com a chegada de Alberto Magno na instituição os objetivos acadêmicos de Tomás ficam ainda mais claros, segue para Colônia acompanhando o mestre. Onde completa sua formação, conhece e se aprofunda nos argumentos neoplatônicos, de pseudo-Dionísio Areopagita e com o aristotelismo. Aos 27 anos volta para lecionar em Paris trabalhando primeiramente como mestre na escola dominicana do convento de Saint-Jacques e depois como professor assistente na própria Universidade. Fica encarregado de tecer comentários sobre as Sentenças de Pedro Lombardo. Em 1260 é requisitado pela Ordem Dominicana na Itália, em 1261 o Papa Urbano IV o leva para sua corte em Orvieto onde permanece por cerca de 3 anos. Fica responsável em 1265, em Roma, pela escola Santa Sabina aproximadamente por dois anos. Por conta do arrefecimento das animosidades contra as ordens mendicantes (dominicanos e franciscanos) retorna à Paris em 1269 para segunda e prolífica cátedra. Parafraseando Alberto Magno, o boi mudo da Sicília muge para o mundo! Iniciando um processo que abalará as estruturas intelectuais da Cristandade, fazendo com que ela se defrontasse com um construto filosófico-teológico sólido e portador de explicações racionais para interpretação da natureza e preponderância de Deus sobre esta. Em meio a várias e acirradas disputas produz a maior parte de suas obras: comentários de Aristóteles, livro de Jó,evangelho de João, epístolas de Paulo e a segunda parte da Suma Teológica, sua obra maior. Sua produção intelectual causa celeuma na universidade e com o término do período regular de 3 anos da cátedra é enviado para Nápoles, de lá é convocando para o concílio de Lyon morrendo no caminho tinha menos de 50 anos . Sua vida foi bem centrada no século XIII e se constituindo uma síntese dos movimentos culturais de então: Tomás expõe todas as novidades, efervescências e contradições. Inovou em vários aspectos por exemplo: trabalhava em equipe. Coordenava um grupo de cerca de sessenta frades sendo que cada um deles trabalhava e produzia de forma especializada: este familiarizado com as obras de Aristóteles, aquele com as de Santo Agostinho, o outro conhecia profundamente os grandes teólogos gregos (os Padres da Igreja) etc. Foi Tomás quem inventou a dedicatória. Seu livro "De ente et essentia", escrito entre 1252 e 1256, é dedicado "aos irmãos e companheiros" que trabalhavam com ele no convento dominicano de Saint-Jacques, em Paris. Seu principal legado foi à introdução definitiva dos escritos de Aristóteles no bojo da Cristandade (assunto que será desenvolvido em seguida). Segundo Gilson Aristóteles renasce completamente renovado e em sintonia com o cristianismo, em contraponto aos neoplatônicos que dominavam a cena filosófica .

Santo Tomás foi canonizado pelo Papa João XXII em 1323  e conhecido como Doutor Angélico e Doutor Comum em honra da sua enorme contribuição aos ensinamentos católicos. Em 1880 o Papa Leão XIII , o honrou como  patrono das escolas, colégios e universidades.
 

Ao longo do Concílio Vaticano II ficou por intermédio de carta conciliar ficou decretado quanto aos estudos filosóficos-teológicos “as disciplinas filosóficas ajudem os alunos a adquirir um sólido conhecimento do homem, do universo e de Deus, apoiados num patrimônio perenemente válido.” Em acordo com Papa João Paulo II, por conta do rigor metodológico os escritos do Aquinate fornecem respostas sintonizadas com a revelação e filosoficamente corretas. Sem obscurantismo auxiliando a ciência e a cultura a desenvolverem todas as suas potencialidades sem que incorram no erro do “homem-demiurgo” que por dominar a técnica tudo pode, reduzindo o ato de criar a uma experimentação.


O impulso demográfico e o intercâmbio cultural promovido pelo desenvolvimento do comércio e sobretudo pelas Cruzadas trás para a Cristandade uma série de abras ainda desconhecidas. A difusão gradual das abras de Aristóteles foi decisiva iniciando uma revolução no meio filosófico-teológico .

A gradual redescoberta dos estudos aristotélicos se opera através de Avicena e Averóis , autores de origem árabe do século XI e XII respectivamente. Até o século XII Ia única obra conhecida de Aristóteles era o Organon.
 

Segundo Reale “A novidade destas obras consiste no fato de que oferecem explicação racional do mundo e visão filosófica do homem completamente independentes das verdades cristãs” Até então embora houvessem instrumentos autônomos de análise as visões de mundo e realidade estavam essencialmente relacionadas à Revelação .Fundadas em ferramental platônico ou neo-platônico que ofereciam argumentos para hierarquizar o pensamento filosófico subordinado ao teológico. Para Le Goff o século de Santo Tomás é o século das corporações de ofício a as próprias universidades funcionavam como tais. Desenvolvendo e organizando um campo exclusivo de atuação, campo intelectual, tomar parte desta corporação se fazia necessário cumprir uma trajetória de estudos e progressivas graduações: bacharel, professor assistente, mestre etc… Santo Tomás seguiu este caminho de forma exemplar. A instauração das ordens mendicantes também exerceu influência primordial no desenvolvimento das letras entre o século XII e o XIII , os membros das ordens franciscanas e dominicanas atuavam no espaço urbano. A Universidade de Paris foi palco de disputas acirradas entre regulares e seculares, quanto a dramática tomada de decisão dos seculares que se opunham a atuação dos mendicantes da instituição como mestres. Desde sua fundação os dominicanos tiveram especial predileção pela vida acadêmica , devido a própria razão de sua fundação, combater as heresias assim exigiam sólida formação teológica de seus membros. Encontraram bom ambiente a princípio mas este quadro logo foi quebrado pois, basicamente os seculares acusavam os regulares de violarem algumas regras corporativas das instituições, no caso de Paris, lecionavam Teologia sem ter concluído o curso de Artes. Em outro contexto, fora das universidades os mendicantes são acusados de exercerem funções exclusivas dos seculares como ministério dos sacramentos. A situação toma proporções críticas em meados do século XIII, causando grandes cismas nas universidades. Os filósofos mais expressivos que precederam Tomás no curso do século XIII foram: Simão de Tournai, Alexandre Neckam, Alfredo Sereshel (Alfredus Angelicus), Guilherme de Auvergne, Alexandre de Hales, João de la Rochelle, Roger Bacon, Alberto Magno e São Boaventura. Os três primeiros iniciaram suas produções no fim do século XII início do XIII, expuseram as doutrinas da physis e da psicologia de Aristóteles e da tradição filosófica árabe de filiação clássica . Comentaram e escreveram antes da introdução das traduções feitas direto do texto em grego de Aristóteles, e (and were attacked by the nysttics as innovators and teachers of profane doctrine) foram atacados por místicos como e introdutores de doutrinas errôneas e profanas. Destacamos alguns dos principais antecessores de Santo Tomás de Aquino:

	Guilherme de Auvergne  é um representante do primeiro estágio de transição entre a Escolástica do século XII e do XIII. Durante um período procurou ponto em comum entre o Aristólelismo árabe e a doutrina agostiniana , ao perceber que haviam discordâncias abandonou tal linha da pesquisa.
 	Alexandre de Hales, Doctor Irrefragabilis, nascido na Inglaterra foi o primeiro franciscano a atuar como professor de Teologia na universidade Paris, escreveu  sua Summa  que foi completada e publicada por seus discípulos após sua morte. Atuou como pioneiro escrevendo após  remoção das proibições do uso de Aristóteles no meio acadêmico. Sua mais importante contribuição para a Filosofia foi a fixação da escolástica como método de investigação de problemas teológicos. 
 	São Boaventura, Doctor Seraphicus,  mais ilustre dos discípulos de Alexandre de Hales  nascido na Itália perto de Vierbo , entrou para a ordem dos franciscanos em 1238. Uniu-se a Tomás de Aquino contra es críticas ferozes que  Guilherme de St. Amour proveria sobre as ordens mendicantes. Assim, mantiveram laços de amizade apeser das diferenças existentes entre as duas ordens.Sua doutrina se filia a de seus antecessores franciscanos nunca conjugação de agostinianismo e  tradição peripatética, abraçando o espiritualismo  cristão de cunho platônico. Podemos toma-lo  por ortodoxo, uma vez que reproduziu em certa medida  ensinamentos da escola Vitorina depurando-a de alguns exageros.
    Roger Bacon, Doctor Mirabilis,era um franciscano nas não pode ser identificado como um continuador da “tradição” franciscana para Filosofia. Nasceu na Inglaterra iniciando sua  formação em Oxford onde desenvolveu o gosto pelo estudo da lingüística, matemática e das ciências físicas. Poe volta de 1245  seguiu para Paris onde travou contato com Alexandre de Hales e provavelmente  também com Alberto Magno retornado à Oxford se filia aos franciscanos passando a lecionar na instituição. Por motivos não esclarecidos foi exilado e mantido  preso em Paris pela ordem de 1257 ate 1267. Sendo libertado pelo Papa Clemente IV seguindo para lecionar em Oxford tanto a filosofia quanto as ciências naturais são  suas  tributárias. Defendia a observação para investigação da natureza , elaborando uma metodologia científica muito antes de Newton.
    Alberto Magno, Doctor Universalis , principal representante da tradição filosófica dos dominicanos egresso da uma nobre família da  Suábia  entrou para a ordem em 1223, depois de completar os estudos de teologia em Bolonha leciona em Colônia, outras cidades germânicas e depois Paris onde encontra o jovem Tomás de Aquino a quem sempre dará suporte intelectual e espiritual , sendo principal responsável pela introdução da obra de  Aristóteles na Cristandade.
 


A doutrina de Alberto Magno tem muitos pontos de contato com a obra de seu discípulo Tomás nas algumas divergências como: a teoria da existência na rationes senimales e na permanência das formas e dos elementos em uma mistura teoria refutada por Tomás,podemos ainda apontar Alberto Magno como um precursor do realismo moderado. A ênfase dada por Alberto nas questões da physis elaboradas por Aristóteles foram um impulso a investigação da naturais . Com atuação de ambos a ordem dominicana se consolida como lar dos estudos e do rigor investigativo no tocante as questões filosóficas. Ainda que Doctor Angélicus tenha bebido em fontes já exploradas por São Boaventura e também por Alberto Magno alarga os horizontes da Filosofia. Primeiramente por distinguí-la Teologia, razão e fé em sua obra não são antagônicas mas se configuram de forma completamente distinta. Teologia e Filosofia não entram em conflito em sua obra ambas buscam a verdade e ela é uma só em sua visão embora apresentem objetos em comum: a existência de Deus, a essência da alma, a condição humana etc…. Caso entrem em contradição prevalecerá a primeira que partindo da razão humana é factível de erro, o que não ocorre na segunda por estar tratando diretamente da revelação divina. Já em sua obra de juventude o “Ente et essentia” demonstra tanto vigor quanto rigor metodológicos patentes. Numa originalidade sem par no desenvolvimento de argumentos aristotélicos aplicados a questões da Cristandade com fina inteligência. Santo Tomás desenvolve uma eficiente ontologia, baseada na composição entre Aristóteles, profundamente depurado, e o pensamento cristão. A base metodológica de sua síntese parte de Aristóteles no entanto não para se esgota num trabalho de divulgação desta antiga novidade indo muito além. O resultado é um constructo com um pé na filosofia clássica e outro na Revelação.

 A defesa da essencial espiritualidade e corporeidade do homem levou seus contemporâneos a um apaixonado debate . Suplantou a tradição platônica que declarava: ser a alma unida ao corpo como um motor a um movido , sendo , a inteligência atribuída ao todo por continuidade , o corpo não faz parte do homem sendo sua alma completamente autônoma se valendo do corpo para agir.
 

Para negar este princípio platônico se vale deste argumento: tanto homens quanto animais são sensíveis e naturais , tal fato seria impossível se a alma somente ela se constituísse de como essência deles . Uma vez que ela não é nem sensível nem ao menos material assim, o corpo e suas partes tanto em homens quanto animais fazem parte das suas essências. Santo Tomás combate a teoria averroísta pela qual o intelecto é parte do corpo logo, se há alguma unidade entre eles esta se opera a partir das espécies inteligíveis. Retomando Aristóteles o Aquinate defende a unidade substancial do homem compósito de corpo e alma , nunca apartados ! Partindo deste princípio tece sua teoria evocando as relações entre forma e matéria , ato e potencia e ente e essência. Concordando com Le Goff: o aristotelismo albertino-tomista e ao averroísmo se instaura uma verdadeira cruzada por parte dos agostinianos de forte cunho platônico, o realismo moderado de Tomás é compreendido como grave perigo para a fé e para a doutrina. Os agostinianos buscaram comprometer Aristóteles com Averóis , Tomás com Aristóteles. O rigor metodológico inaugurado pelo Aquinate se opõe a uma séria de produções confusas sustentadas por agostinianos por vários séculos, a renovação proposta ,demorou a ser absorvida pela Igreja e pelo mundo acadêmico mas por fim sua consagração foi completa , haja vista, as extensas recomendações do magistério para a adoção de sua obra como principal parâmetro para os estudos filosófico –teológicos cerca de 700 anos após sua morte . Bibliografia

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