Transfusão de sangue
Keywords: Transfusão de sangue, 15 de Junho, 1667, Albumina, Antígeno, Artéria, Costela, Crânio, Células, Esterilização
A transfusão de sangue é uma prática médica que consiste em injetar sangue a um paciente que tenha sofrido de grande perda ou que esteja afetado por uma doença no seu próprio sangue. A primeira transfusão de sangue foi efectuada em 15 de Junho de 1667. É um tipo de terapia que tem se mostrado muito eficaz em situações de choque, hemorragias ou doenças sanguíneas. Frequentemente usa-se transfusão em intervenções cirúrgicas, traumatismos, hemorragias digestivas ou em outros casos em que tenha havido grande perda de sangue.
Durante algum tempo no passado muitas pessoas tinham receio de aceitar transfusão com medo de contraírem uma doença infecto-contagiosa. Hoje não precisamos ter este tipo de preocupação, pois o sangue colhido de um doador passa por diversos testes antes de ser transfundido em um paciente.
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Tipos Sanguíneos
O sangue é um tecido vivo que circula initerruptamente pelas nossas artérias e veias, levando oxigênio e nutrientes a todos os órgãos do corpo e trazendo o gás carbônico. É composto por plasma, plaquetas, hemácias e leucócitos. O sangue é produzido na medula óssea dos ossos chatos, vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno.
Sistema Rh
O sangue é classificado em grupos (positivo e negativo) pela presença ou ausência de um antígeno de superfície da hemácia que foi encontrado primeiramente no macaco Rhesius, dando nome ao fator Rh Assim, o sangue Rh negativo não possui este antígeno na superfície, e o Rh positivo o possui. A incidência destes grupos varia de acordo com a raça, pois trata-se de um fator hereditário.
Sistema ABO
O sangue também é classificado como do tipo A, B, AB ou O. Esta classificação teve origem na descoberta de dois antígenos de superfície, para os quais foram dados os nomes de A e B. Quando a hemácia possuía o antígeno A era chamado de sangue tipo A, quando possuía B, tipo B, quando possuía os dois, tipo AB. Quando não possuía nem A nem B, era assinalado com um número zero (0). As pessoas começaram a ler o zero como a letra O, dando origem ao sistema ABO.
Compatibilidade Sanguínea
O sangue doado é separado nos seus componentes principais - os hemocomponentes, e estes são fraccionado em seus diversos elementos - os hemoderivados, para a aplicação terapeutica somente da fracção necessária. Se for necessário uma transfusão de sangue total, os hemocomponentes podem ser reunidos.
- Hemácias - é o glóbulo vermelho. Pessoas com sangue Rh positivo podem receber hemácias do tipo Rh negativo. O contrário não é verdadeiro. Pessoas do grupo O só podem receber hemácias do grupo O. Pessoas do grupo AB podem receber hemácias do grupo O, A e B. Pessoas do grupo B podem receber hemácias do grupo O e B, mas não do A. Pessoas do grupo A podem receber hemácias do grupo O e A, mas não do B.
A pessoa portadora do tipo de sangue 0 negativo é tido como sendo doador universal, (seu sangue serve para qualquer paciente) mas no caso de transfusão, o ideal é o paciente receber sangue do mesmo tipo que o seu. Cada componente do sangue tem propriedades especiais e pode ser separado para tratar de problemas específicos de cada paciente.
Doação de Sangue
Os Centros Hemoterápicos necessitam de muito sangue para suprir às necessidades da população, devido ao grande número de acidentes e doenças sanguíneas que necessitam de transfusões. Não existem substitutos para todas as funções do sangue. Geralmente, restablece-se o volume líquido do sangue mediante com soluções salinas ou gelatinosas e estimula-se a produção acelerada de hemácias. Mas nos casos de hemorragias masivas necessitam de hemácias. Também os hemofílicos necessitam dos fatores de coagulação (VIII e IX), para a qual não existe substituto. A molécula da hemoglobina artificial ainda encontra-se em ensaios pré-clínicos.
O doador não corre nenhum risco, já que são utilizadas para a coleta do sangue bolsas e agulhas estéreis descartáveis, isto é, utilizadas apenas uma vez.
Para doar sangue o indivíduo deve ter entre 18 e 60 anos, mais de 50 quilos, estar gozando de boa saúde, não ser tóxicodependente ou estar tomando certos medicamentos e realizar apenas "sexo seguro". A doação deve ser voluntária e não remunerada, como maneira de evitar a doação de sangue doente.
Alternativas Actualmente Disponíveis
Muitos médicos têm reconhecido que a posição contrária à transfusão de hemocomponentes por parte das Testemunhas de Jeová incentivou a pesquisa de tratamentos alternativos, permitindo efetuar cirurgias complexas sem a necessidade do uso de sangue total e hemodcomponentes, técnicas que beneficiam não só as Testemunhas, mas toda a população. Uma grande parte da comunidade médica, porém, continua crítica em relação a esta opção religiosa, recusando-se a dar tratamento ou submeter a cirurgias a menos que seja permitida a transfusão. Isto obriga os pacientes a buscar tratamento em outros hospitais ou os força a protelar o tratamento para encontrar um médico disposto a utilizar as diversas técnicas disponíveis para evitar transfusões.
São alguns exemplos de técnicas utilizadas para evitar transfusões sanguíneas :
- Uso de bisturis elétricos para cirurgias mais simples;
- Uso de bisturis ultrassônicos para cirurgias complexas;
- Uso de soluções salinas (soro fisiológico a 0,9%, solução de Ringer, e Ringer com lactato de sódio ou Solução de Hartmann )
- Haemmacell (solução gelatinosa que substitui até 1000 ml de plasma humano);
- Eritropoietina ou EPO - hormona produzina nos rins que estimula a medula óssea a produzir hemácias em ritmo acelerado;
- Eritropoietina recombinante ( medicamento que substitui a hormona eritropoietina )
- Dextran de ferro (ou Imferon) administrado intravenosamente
- Auto-transfusão - reutilização do próprio sangue perdido durante a cirurgia após passagem por um filtro. É o mesmo sistema utilizado nas cirurgias cardíacas, onde o coração pára de funcionar durante algum tempo e uma bomba faz seu papel temporariamente com o sangue circulando através de uma máquina, sistema chamado de circulação extracorpórea e similar no funcionamento à hemodiálise.
- Transfusão autóloga ou Auto-transfusão - Existem dois tipos: O paciente retira seu próprio sangue alguns dias antes da cirurgia e esse sangue fica guardado em bolsas até que seja necessário utilizá-lo durante a cirurgia programada. No outro tipo, o sangue é retirado no início da cirurgia e armazenado, sendo substituído por soluções (cristalóides ou colóides) como expansores do volume do plasma. Ocorrendo algum sangramento ele obviamente será menor, já que estará diluído. Ao final da cirurgia o sangue é reposto.
Para além da conhecida auto-transfusão (ou transfusãao autóloga), do aproveitamento (após filtração/heparinização) do sangue perdido no decurso de intervenções cirúrgicas e da chamada transfusão isovolémica - todas estas técnicas implicando apenas a utilização de sangue autólogo - as alternativas reais à transfusão são limitadas. Fora das situações de hemorragia aguda, são de considerar a utilização de eritropoietina humana recombinante para estimular a eritropoiese, e de trombopoietina humana recombinante (esta de utilização ainda não generalizada e limitada a situações de trombocitopenia).
Estão a ser submetidos aos primeiros ensaios clínicos substitutos sintéticos e semi-sintéticos das plaquetas, constituídos por micro-esferas de albumina (ou eritrócitos fixados), revestidos com fibrinogénio ou peptídeos derivados do fibrinogénio. No entanto, a semi-vida destes produtos parece ser muito curta, o que poderá limitar a sua utilização a situações agudas. A utilização de alguns produtos de recombinação genética como factores de coagulação, proteína C, antitrombina e antitripsina (bem como outros agentes terapêuticos de situações de discrasia da hemostase como DDAVD, antifibrinolíticos, colas de fibrina recombinante, etc.) poderá, em alguns casos, corrigir situações discrásicas, evitando assim a ministração de sangue ou seus hemocomponentes. Em situações de anemia por hemorragia aguda tem sido indicada, em condições específicas e limitadas, a utilização de transportadores do oxigénio do grupo dos perfluorcarbonos, alguns comercializados já. Devendo ter em atenção os efeitos sobre os rins e o figado. Já se pratica a terapêutica genética para a deficiência do Factor VIII (Hemofilia tipo A) e está eminente a utilização da mesma tecnologia para o tratamento da deficiência do Factor IX (Hemofilia tipo B). Ainda se encontra em ensaios pré-clínicos uma hemoglobina artificial.
Terapias para as Testemunhas de Jeová
A actual posição oficial das Testemunhas de Jeová proíbe de modo absoluto o uso de sangue total ou de seus componentes primários. Entende-se como componentes primários, as células sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas) e o plasma sanguíneo integral. Entendem que o sangue retirado do seu sistema circulatório deve ser inutilizado, de modo que não aceitam transfusões autólogas de sangue armazenado de antemão. (Ref.ª A Sentinela 15/10/1959, pág. 640, em inglês) O mesmo sucede com as técnicas de drenagem ou de hemodiluição intra-operatórias que envolva armazenamento de sangue. Permitem o uso de equipamento de hemodiálise, da máquina cárdio-pulmonar, desde que use não se empregue sangue na sua preparação, e o reaproveitamento de sangue intra-operatório, desde que a circulação extracorpórea seja ininterrupta. O actual entendimento religioso não proíbe o uso de protaínas plasmáticas, tais como albumina, imunoglobulinas e os factores de coagulação. (Ref.ª A Sentinela 01/12/1978, pág. 29) Apartir de Junho de 2000, já não é proibido o uso de fracções de quaisquer componentes primários. (Ref.ª A Sentinela 15/05/2000, pág. 29-31)
Links externos
- Matéria do Globo Repórter : Tecnologia a serviço da Religião.
- Opinião de uma "Testemunha de Jeová" sobre a transfusão de sangue
- Web Site das Testemunhas de Jeová para Reforma do Sangue (AJWRB)
- Que dizer do uso medicinal do sangue?
- A lei e as "Testemunhas de Jeová"
- Complicações e Aspectos Gerais
